Terça-feira, 19 de Junho de 2012

Moedas paralelas e outras uniões monetárias

Algo se tem falado sobre a possibilidade de ser criada uma moeda paralela para a Grécia ou Portugal, ou mesmo separar o euro em dois, um para os países do sul e outro para os do norte. Existem ainda outras sugestões menos comuns de integração monetária como por exemplo juntar Portugal com os países da CPLP ou uma união mediterrânea entre o sul da Europa e o Maghreb.

Devo dizer que não sou a favor de nenhuma destas.

Começando pelas hipóteses como o euro a duas velocidades, a união monetária mediterrânea ou entre os países de língua portuguesa.

Em primeiro lugar, não nos podemos esquecer que estamos a assistir a uma experiência monetária que se revela cada vez mais como um falhanço. E não vejo que condições diferentes (e melhores) teriam tanto um euro a duas velocidades, e menos uma união monetária mediterrânea ou de língua portuguesa. Os pilares para o eficaz funcionamento de uma união monetária seriam mais uma vez muito frágeis. Nomeadamente: 1) insuficientes trocas comerciais entre os países da união; 2) ciclos económicos desalinhados; 3) fraca mobilidade dos trabalhadores; etc...

Penso que mesmo a solução mais falada, a do euro a duas velocidades, é muito pouco atrativa. Portugal, Espanha, Itália, Grécia e os demais países da dita periferia não teriam benefícios suficientes para continuarem a abdicar da sua política monetária em troca de partilharem a mesma moeda.

Quanto à possibilidade da criação de uma moeda paralela para países em dificuldades (para já fala-se do GEURO), penso que seria uma chamada second-best solution quando comparada com a saída total do euro. A ideia desta moeda paralela permitiria a necessária desvalorização cambial mas um ponto essencial é saber se a soberania sobre a politica monetária permaneceria ou não do lado do BCE. A trazer alguma estabilidade quando comparada com a saída directa do euro, sinceramente, só vejo esta solução a fazer algum sentido se for aplicado durante um período de transição até à entrada total da nova (velha) moeda.

 

Mais FAQ.Economia - Deixem comentários com o que gostariam de ver discutido.

 



publicado por Mais Um Economista às 12:49 | link do post | comentar

2 comentários:
De escudo-cplp a 19 de Junho de 2012 às 14:56
Quanto a uma moeda paralela, eu fiz um apanhado groceiro no teu Blog há uma semana, mas falava das experiências actuais dentro da zona euro.
http://boom-or-doom.blogs.sapo.pt/5892.html#comentarios

Existe uma experiencia na Suiça um restício das moedas paralelas da crise de pós-guerra. Esta têm como suporte a existência de um banco e é reconhecida com complementariedade importante para a falta de fundos que possam existir para esta região mais despreviligiada, compensando o desiquilibrio. Muitos na UE têm sugerido um tipo de moeda mais abrangente. Na Saxónia-Anhaltina hexiste um projecto de moeda-talento, baseado em troca de horas que abarca um territóio tão grande como Portugal e muito deprimito económicamente, e que vai passar a abarcar ainda parte da Turingia e da Pomerângia, mas o número de utilizadores é reduzidissimo e depende de um facto ter mais 25% das populações desempregadas. Não creio que um projecto desses a nivel nacional com 10.000.000 de utilizadores fosse gerível. E como só temos 15% de desempregados não haveria muitos que o quisessem aceitar, só vejo possibilidades locais em Setubal, Vale do Ave, Covilhã ou uma outra ilha dos Açores.

Uma moeda desvalorizável teria custos de impressão muito grandes e por isso não poderia ter um alcance maior que 3 ou 4 concelhos todos limitrofes e com veios comunicantes muito fortes (em Portugal só a Beira-Baixa, Planalto de Bragança e alguns concelhos em decadência na Ráia onde a concorrência fiscal espanhola é avassaladora).

Mas estas questões abarcam uma outra questão essencial:
Que tipo de modelo monetário para o novo escudo.
- Monetarização Fiscal (emissão face aos imposto a cobrar durante 4 anos)
- Monetarização de activos industriais e de matérias primas a cada ciclo económico-produtivo.
- Monetarização das trocas exteriores (Balança de pagamento)

O escudo que tinhamos advinha de um padrão-ouro(e prata) que se foi diluindo à medida que a economia exigia mais massa monetária para poder continuar funcionar sem inflação e deflação.
Em que nos baseariamos para criar o novo escudo.
O simplesmente partir da substituição compulsiva de toda a massa monetária do euro em formato escritural existente e transferi-la para escudos à base de 200$00 por euro e apartir dai manter uma politica monetária baseada na estabilidade de preços e necessidade de desvalorização da moeda face ao exterior.

No seguimento desta última solução, a mais provável, quais os formatos de monetarização futura. Mantemos os sistema actual de monetarização dos créditos pelos bancos, e por sua exclusiva mediação, será isso inteligente, especialmente se queremos uma àrea escudo saudável


De escudo-cplp a 19 de Junho de 2012 às 14:22
A sugestão de uma moeda CPLP por acaso é minha e não foi pensada com o Brasil, mas apenas alguma paridade com o real. Nem pressupõem manter as moedas interligadas ad eternum , mas repor em primeira linha repor a zona escudo, que descobriu nuances muito interessantes depois da crise de 1968-69 (a crise dos atrasos de pagamentos que levou à desconfiança dos operadores comerciais). Mas o escudo-cplp teria como primeira instância um pressuposto . Que as trocas económicas fossem superiores a 20% com Portugal e vice versa. Seria um projecto de cooperação e mutua ajuda. Todos os países da CPLP precisam de uma nova moeda (Brasil em breve, embora não questionado). Introduzir uma nova moeda seria extremamente complicado para qualquer destes países, mas um projecto global onde Portugal com a confiança e a tecnologia europeia expertise nas áreas financeiras e estatísticas , os recursos naturais de Angola, Moçambique e Timor, o apoio e garante do Brasil, com um acordo de pagamentos exterior possibilitaria um investimento sem par em todos estes territórios. Portugal é o primeiro vendedor dos PALOP , qualquer investimento nesses países venha de onde venha significa mais compras a Portugal a todos os níveis, serviços, produtos de consumo e materiais de construção, envolvimento bancário-financeiro , etc. Depois vivem tantos Portugueses no espaço CPLP mais Macau quantos Portugueses na UE, e têm geralmente mais dinheiro, e ocupam ali melhores Postos.
Os níveis de crescimento desses países ajudaria a contrapor as desigualdades. A divisão da divisa seria bem mais apaziguadora porque a lógica de insteração das diferentes economias seria complementaridade e não dependência estrutural. Estas são as razões que assistem a um projecto Escudo-CPLP : 1$00 pt = 1$00 mo até que seja necessário ter 1$10 pt por um 1$00 mo.
Foi-me dito há duas semanas por um dos fundadores da CPLP que existem vários documentos não publicados pelo BP e MNE sobre o assunto. E até cenários possíveis nesse sentido com o cenário da desagregação do Euro.


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