Terça-feira, 31.07.12

Tenho tido pouco tempo para escrever aqui no BOOM or DOOM mas li uma notícia que me deixou intrigado e aproveito para partilhar.

Germans 'better off without euro' - poll @ The Telegraph

Isto deixa-me apreensivo. Se os alemães acham que estariam melhor sem o euro então o euro é/era do interesse de quem?

O problema é mesmo esse. Está tudo ao contrário - o euro foi bom para os alemães ressuscitarem a sua economia que estava estagnada nos anos 90 e agora nem os alemães querem o euro. Das duas uma, ou estão mal informados ou acham que já usufruíram do euro o suficiente; eu aposto na primeira hipótese.

E o outro lado do problema está nos países do sul - esses sim deveriam estar a favor da saída do euro mas não estão (pelo menos não maioritariamente ou não assumidamente). Verdade que as alternativas políticas aos pró-euro podem não ser fáceis de aceitar pela maioria da população mas o que está em causa são as políticas dos próprios partidos pró-euro. A economia portuguesa, nomeadamente, está a atravessar a crise mais severa da sua história. As políticas que estão a ser seguidas insistem em ignorar os ensinamentos da história e, assim, vai continuar a fazer-se história.

  



publicado por Mais Um Economista às 10:50 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sexta-feira, 13.07.12

A Islândia é um caso muito interessante e uma experiência económica real que devia ser mais conhecida - não o é por razões óbvias: a Islândia fez tudo aquilo que não era suposto contrariando o poder económico instalado.

A Islândia não salvou os seus bancos, declarou default nas dívidas dos bancos ao exterior e apenas garantiu os depósitos domésticos, disse não à austeridade, desvalorizou fortemente a sua moeda, e (mesmo assim) recebeu um empréstimo do FMI tal como Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha.

De referir que a Islândia foi dos primeiros países a ser afectado pela crise e a dimensão foi astronómica.

Os três maiores bancos da Islândia tinham uma dívida ao exterior de cerca de 50 mil milhões de euros, quase 600% do PIB.

Até que a bolha do sector bancário, criada à custa da total desregulação do sector, acabou mesmo por rebentar entre finais de 2007 e 2008. 

O gráfico abaixo mostra a evolução do índice bolsista islândes que ajuda a perceber a dimensão do problema.

Evolução do índice bolsista da Islândia OMX15

File:OMXI15.jpg

 

É claro que a crise na Islândia tinha todas as condições para ser muito mais severa do que a crise em Portugal - e foi, mas já deixou de ser. O PIB caiu drasticamente na Islândia em 2009 e 2010, enquanto que em Portugal a recessão de 2009 foi logo seguida de crescimento económico em 2010.

O problema surge depois, numa altura em que a Islândia começa a recuperar assente na desvalorização cambial e acompanhada por um empréstimo do FMI que assentava essencialmente em medidas de reestruturação do sector bancário, Portugal e o resto da Europa, viraram a sua atenção para os défices públicos, a austeridade passou a liderar as políticas económicas na Europa e mesmo nos EUA - os resultados estão à vista.

Depois de uma queda muita mais acentuada, a economia da Islândia já terá ultrapassado Portugal em termos de recuperação económica face a 2008. De referir ainda que enquanto as previsões para Portugal têm sido revistas sucessivamente em baixa, a Islândia têm constantemente superado as metas e estas previsões podem pecar por pessimistas (por exemplo: actualmente espera-se que a economia islandesa cresça 2,8% este ano e a estimativa do gráfico é de apenas 2,4%).

 

 

E outro dado interessante é a evolução da inflação. É uma boa referência para quem teme que em Portugal a saída do euro e respectiva desvalorização do escudo estimada em cerca de 30/40% resulte numa subida de preços e numa perda de poder de compra também de 30/40%. A moeda islandesa desvalorizou mais de 55% entre Julho de 2007 e Novembro de 2008 (portanto bem mais do que os 30/40% esperados para Portugal) e a sua taxa de inflação apenas foi anormalmente elevada em 2008 e 2009, e foi apenas de 12,4% e 12%. 

 

 

Sim, a Islândia é uma ilha gelada no meio do Atlântico e uma economia muito pequena e algo particular. Mas não nos podemos esquecer que a Islândia é também um país desenvolvido que estava a caminho de entrar para a União Europeia. As lições a tirar deste caso de estudo deviam ser definitivamente mais faladas e valorizadas.

 



publicado por Mais Um Economista às 12:08 | link do post | comentar

Há uns dias um comentário referia que a desvalorização cambial não convence e que pode não funcionar. Uma das referências feitas no comentário diz respeito aos EUA e como o facto do dólar estar fraco não ter ajudado a economia. Discordo - antes pelo contrário, o dólar fraco tem mesmo sido muito importante para a economia americana.

Prova disso é a performance da indústria. Segundo o Institute for Supply Management(ISM), em Junho de 2012 houve uma contracção da actividade económica na indústria, o que aconteceu pela primeira vez desde Julho de 2009 (ISM Report On Business - June 2012). De facto, muito se tem falado da resistência à crise do sector industrial nos EUA e certamente que um dos seus motores tem sido a fraca prestação do dólar. E mesmo comparando o crescimento económico dos EUA com o da Europa, a economia americana está claramente em melhor forma.

E se o caso dos EUA não é uma referência ideal para o que aconteceria em Portugal, basta olharmos para exemplos passados como o da Argentina ou exemplos presentes como o da Islândia, para ver que a desvalorização cambial funciona mesmo.

Quero escrever um post sobre o caso da Islândia mas aqui fica um artigo interessante do NYTimes.

 

 



publicado por Mais Um Economista às 11:08 | link do post | comentar | ver comentários (7)

Quarta-feira, 04.07.12

Excelente artigo académico do conhecido economista Paul De Grauwe em co-autoria com Yuemei Ji. Os autores testam a hipótese de que os mercados de obrigações da dívida pública dos países da zona euro são mais frágeis e mais susceptíveis a self-fulfilling liquidity crises que os de países que emitem dívida pública na sua própria moeda. Os resultados são os esperados e de acordo com o que eu tenho defendido - Portugal e os demais sofrem de "negative self-fulfilling market sentiments" que agravaram a subida dos juros em especial desde finais de 2010.

Self-Fulfilling Crises in the Eurozone: An Empirical Test by Paul De Grauwe, Yuemei Ji

 

PS: As self-fulfilling liquidity crises referidas resultam do facto de países como Portugal não emitirem dívida na sua própria moeda, ou seja, não poderem garantir totalmente o pagamento dessa dívida porque, no limite, ao contrário dos países como o Reino Unido ou os EUA, não podem imprimir dinheiro para a pagar. Assim, os investidores ao temerem o default de um país como Portugal, exigem taxas de juro mais altas, e isso por si só torna default mais provável (daí o self-fulfilling) e pode gerar, como gerou em Portugal, graves problemas de liquidez.

 



publicado por Mais Um Economista às 17:17 | link do post | comentar

Quinta-feira, 28.06.12
Num post recente sobre o Reino Unido (Reino Unido - recessão ou depressão?) disse que não seria possível fazer uma análise da mesma natureza para Portugal - ou seja, comparar a crise actual com as crises do passado. E é verdade que não podemos fazer uma comparação tão aprofundado como a que o NIESR fez para o Reino Unido porque não temos dados para antes de 1960 e que só temos dados anuais até 1995.
Mas, arriscando um pouco, aqui fica a análise possível. Abaixo está um gráfico com a evolução do PIB de Portgal nas cinco recessões que ocorreram desde 1960. No gráfico, o ano 0 é o pico que antecedeu a respectiva recessão (portanto marca o início da recessão). Resumindo, as linhas do gráfico mostram a variação do PIB face ao pico anterior, ou seja, face ao ano 0. Por exemplo: em 1976 (ano +2 da recta vermelha) o PIB estava cerca de 3% abaixo do valor de 1974.

 

 Portugal - Recessões e recuperações desde 1960

 
Ora, sem saber ao certo o que se passou na economia portuguesa antes de 1960, arriscaria dizer que estamos a atravessar a pior crise de sempre no nosso país. E diria mais: estamos a atravessar uma depressão profunda - talvez a primeira da nossa história.
Reparem que segundo as previsões do FMI, apenas em 2017 estaremos de novo ao nível do que estávamos em 2007, no início da crise - são 10 anos. E não nos podemos esquecer que mesmo em 2017 estaremos ainda muito abaixo duma tendência de crescimento histórica - relembrem Portugal vs. Argentina II.
Não há comparação possível com as recessões que atravessámos nos últimos 50 anos. Em três delas a economia superou o pico anterior à recessão em menos de 2 anos. Mesmo após 1974, a economia demorou menos de 3 anos a recuperar.
Outra prova de que estamos numa severa depressão são os níveis de desemprego. Nem no conturbado período do final dos anos 70, principio dos anos 80 tal tinha acontecido. Mesmo nesse período a taxa de desemprego apenas superou ligeiramente os 9% (em 1985), hoje caminhamos para uma taxa de desemprego na ordem dos 16% no final deste ano.
 
Portanto estamos numa depressão, depressão essa que podia ter sido evitada. Mas se é verdade que nada há fazer em relação ao passado, o futuro está nas nossas mãos (deles). A economia portuguesa não tem de seguir este caminho, não temos de esperar mais 5 anos para estarmos economicamente em 2007. Não teremos de nos lembrar para sempre deste período como "A Nossa Grande Depressão"!
E, a meu ver, temos duas soluções: 
1) +++ rápida, ++ possível e + arriscada → saída do euro
2) - - - rápida, - - possível e potencialmente insuficiente  → convergência para uns Estados Unidos da Europa
 


publicado por Mais Um Economista às 16:37 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Terça-feira, 19.06.12

Moedas paralelas e outras uniões monetárias

Algo se tem falado sobre a possibilidade de ser criada uma moeda paralela para a Grécia ou Portugal, ou mesmo separar o euro em dois, um para os países do sul e outro para os do norte. Existem ainda outras sugestões menos comuns de integração monetária como por exemplo juntar Portugal com os países da CPLP ou uma união mediterrânea entre o sul da Europa e o Maghreb.

Devo dizer que não sou a favor de nenhuma destas.

Começando pelas hipóteses como o euro a duas velocidades, a união monetária mediterrânea ou entre os países de língua portuguesa.

Em primeiro lugar, não nos podemos esquecer que estamos a assistir a uma experiência monetária que se revela cada vez mais como um falhanço. E não vejo que condições diferentes (e melhores) teriam tanto um euro a duas velocidades, e menos uma união monetária mediterrânea ou de língua portuguesa. Os pilares para o eficaz funcionamento de uma união monetária seriam mais uma vez muito frágeis. Nomeadamente: 1) insuficientes trocas comerciais entre os países da união; 2) ciclos económicos desalinhados; 3) fraca mobilidade dos trabalhadores; etc...

Penso que mesmo a solução mais falada, a do euro a duas velocidades, é muito pouco atrativa. Portugal, Espanha, Itália, Grécia e os demais países da dita periferia não teriam benefícios suficientes para continuarem a abdicar da sua política monetária em troca de partilharem a mesma moeda.

Quanto à possibilidade da criação de uma moeda paralela para países em dificuldades (para já fala-se do GEURO), penso que seria uma chamada second-best solution quando comparada com a saída total do euro. A ideia desta moeda paralela permitiria a necessária desvalorização cambial mas um ponto essencial é saber se a soberania sobre a politica monetária permaneceria ou não do lado do BCE. A trazer alguma estabilidade quando comparada com a saída directa do euro, sinceramente, só vejo esta solução a fazer algum sentido se for aplicado durante um período de transição até à entrada total da nova (velha) moeda.

 

Mais FAQ.Economia - Deixem comentários com o que gostariam de ver discutido.

 



publicado por Mais Um Economista às 12:49 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quarta-feira, 06.06.12

Muito se fala hoje em dia sobre os juros da dívida pública. Toda a gente sabe que foram esses ditos juros que levaram a Grécia, a Irlanda e Portugal a pedir ajuda financeira. E agora toda a gente sabe que o problema são os ditos juros da Espanha e Itália.

Mas outra coisa também é certa, até 2008 nunca se tinha ouvido falar destes juros, e, se calhar, aí é que temos um grave problema. Ora para quem não sabe ou não se lembra, abaixo está um gráfico com a evolução das taxas de juro das obrigações da dívida pública a 10 anos desde 1993 para os PIIGS e a Alemanha.

A primeira coisa que se calhar para alguns é novidade são os primeiros anos do gráfico. Reparem como os juros na década de 90 eram tão ou mais elevados do que são actualmente. A título de exemplo, os juros da dívida Alemã chegaram a atingir os 7,5% em 1995 - um valor que hoje é considerado insustentável e que está acima dos valores que obrigaram a Grécia, a Irlanda e Portugal a pedir ajuda financeira, e também acima dos actuais juros de Espanha e Itália.

Bom, mas o que é que aconteceu no fim do milénio passado que levou os investidores a reverem brutalmente em baixa os juros de países como Portugal e até a equiparar o risco desses países com o da Alemanha?

Toda a gente sabe, foi criado o euro. E apesar do euro só ter entrado em circulação em 2002, não nos podemos esquecer que foi um processo que começou em 92 com a assinatura do Tratado de Maastricht. 

O problema é que a criação do euro não justificava esta convergência total ao nível do risco país. Se com a criação do euro países como Portugal eliminaram da sua dívida o risco cambial, simultaneamente ganharam outro risco - o risco de falência. Mas esse risco de falência foi ignorado durante mais de 10 anos, e países como Portugal viram as suas dívidas externas aumentar drasticamente, como era de esperar. E o pior é que quando os investidores se aperceberam da situação que eles próprios criaram, estávamos a meio da crise mais severa desde a Grande Depressão, e as consequências estão à vista de todos.

O gráfico abaixo ajuda a tornar mais evidente evolução do risco da dívida pública Portuguesa. As duas linhas mostram a diferença entre as taxas de juros das obrigações a 10 anos entre Portugal e os EUA e entre Portugal e a Alemanha. Note-se que entre 98 e 2007 os juros de Portugal foram, em média, apenas 0.2 pontos percentuais superiores aos da Alemanha (4,5% contra 4,3%) - agora, como toda a gente sabe, a diferença são mais de 10 pp. E perante os EUA, entre 98 e 2000 e entre 2004 e 2007, a dívida Portuguesa pagou mesmo um juro mais baixo do que a dívida da maior economia mundial - e sim, não me enganei, mesmo no recente ano de 2007,  os juros das obrigações a dez anos foram em média de 4,4% em Portugal e de 4,6% nos EUA.

 

 


publicado por Mais Um Economista às 18:59 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Sexta-feira, 01.06.12

Vou começar este post exactamente onde acabei o outro, no petróleo e nas importações. Como sabemos, o petróleo faz parte de um conjunto de coisas importantes que Portugal não produz, ou que não produz o suficiente para satisfazer as suas necessidades. E essas coisas importantes, caso Portugal saia do euro, vão sofrer aumentos de preço consideráveis em consequência da expectável desvalorização do escudo (ou de outra qualquer nova moeda de Portugal).
Para termos uma ideia do que estamos a falar, o gráfico abaixo mostra as actividades económicas com o maior peso nas importações portuguesas de bens em 2011. Como podemos ver, o petróleo e o gás natural representam quase 13% das importações nacionais de bens, a fabricação de produtos químicos (onde se incluem os produtos farmacêuticos) 13,6%, seguidos das indústrias alimentares e da fabricação de veículos automóveis com cerca de 10% cada.

 

Feita esta pequena introdução, então que consequências teria a desvalorização cambial nas importações e na economia?

Vou excluir desde já da minha análise coisas como os veículos automóveis, que não serão, a meu ver, um problema para a recuperação da economia portuguesa, pelo menos a curto prazo.

Portanto, em suma, as coisas que realmente seriam cruciais para uma recuperação sustentável e saudável da economia são os produtos energéticos (petróleo, gás natural e outros), os produtos alimentares e os produtos farmacêuticos. Penso que é unânime. Estas coisas são cruciais essencialmente na medida em são indispensáveis e insubstituíveis, e que a sua escassez poderia comprometer seriamente a estabilidade social do país e a recuperação económica a vários níveis.

No entanto, e apesar de concordar que as importações destas coisas seriam um dos problemas principais da saída do euro, tenho de fazer uma ressalva para alguns aspectos que tendem a ser ignorados.

Em primeiro lugar, os preços destas coisas e mesmo o preço de praticamente tudo o que é importado não aumentaria tanto quanto se pensa - e com isto não quero dizer que aumentaria pouco. Não se pode dizer é que se escudo desvalorizar, vamos supor, 40%, os preços do café aumentam 40%. Isto porque, como sabemos, quando alguém compra um café não está só a pagar o grão de café que foi importado, está também a pagar parte do salário do empregado que lhe serviu o café, do salário do patrão do estabelecimento, da renda do estabelecimento, do salário do distribuidor, e por aí fora. E destes componentes todos do preço do café, o único que aumentaria 40% é o grão de café. Os outros, pelo menos no curto prazo, permaneceriam fixos, o que resultaria num aumento do preço do café bem mais baixo do que os 40%.

Em segundo lugar, em muitos produtos, senão todos, o Estado poderia intervir por forma a conter a subida dos preços. Como todos sabemos, até há relativamente pouco tempo o preço dos combustíveis era fixado por lei, algo que pode bem voltar a ser feito. E o preço dos medicamentos é ainda hoje fixado por lei, logo o Estado pode intervir para limitar ou mesmo anular quaisquer subidas de preço nos produtos farmacêuticos. Mais, o Estado pode sempre baixar os impostos sobre o consumo, nomeadamente o IVA e o Imposto sobre Produtos Petrolíferos.

Por fim, devemos ter em conta o aumento da produção nacional que venha a substituir importações - que foi o principal motor da recuperação da economia Argentina. No petróleo e gás natural pouco há a fazer - excepto a aposta nas energias renováveis - mas os produtos alimentares serão um mar de oportunidades. Muitas novas indústrias voltarão a ser competitivas porque os preços internacionais aumentam, muitos terrenos agrícolas voltarão a ser cultivados por previsível suspensão da ridícula PAC e muitos pescadores nacionais voltarão ao mar por previsível suspensão das ridículas limitações comunitárias.  

Espero ter dissipado algumas das preocupações da saída do euro no que se refere a importações. No entanto, tenho que deixar claro que este seria um aspecto crucial e que, apesar do que expus, os preços aumentariam mesmo. Podem é aumentar mais ou menos consoante diversos factores e um deles, que considero muito importante, é a gestão da situação por parte do Governo.

Acredito mesmo que o ponto crucial para o sucesso da saída do euro não seria tanto o preço das importações mas sim a capacidade de gestão do Governo (ou a falta dela). Coloco assim este ponto à cabeça porque apesar da situação ser muito complicada de gerir, considero que é possível fazê-lo. O maior problema, penso eu, é que a classe política do nosso país, muito provavelmente, não estaria à altura de tamanho desafio.

 



publicado por Mais Um Economista às 10:36 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Quinta-feira, 31.05.12

Na semana passada publiquei um post que mostrava a evolução das trocas comerciais entre a Alemanha e Portugal desde 1995. Penso que ajuda a clarificar algumas das consequências inevitáveis da criação do euro.

Outra forma de ver como o euro criou enormes desequilíbrios é comparar a evolução da Balança Corrente* da Alemanha com a Balança Corrente dos famosos PIIGS (= Portugal + Itália + Irlanda + Grécia + Espanha).

 

 
Como diria o outro: "Did they ever fit together?" 
 
*Balança Corrente = Balança Comercial (Exportações - Importações) + Balança de Rendimentos (Rendimentos recebidos de investimentos estrangeiros - Rendimentos pagos a investidores estrangeiros) + Balança de Transferências (ex: remessas de emigrantes)
 


publicado por Mais Um Economista às 16:36 | link do post | comentar

Terça-feira, 29.05.12

Estava a pensar escrever sobre a questão dos feriados e das férias já há algum tempo. Como todos sabem, foi acordado o corte de 4 feríados e o corte dos 3 dias de férias "extra" que eram atribuídos aos trabalhadores consoante a sua assiduidade.

Entretanto encontrei uma referência interessante a este tópico aqui e vou aproveitar para divulgar.

No post faz-se referência a um ponto importante que é o facto de se dever comparar, não os mínimo legais de cada país, mas aquilo que é realmente praticado no mercado de trabalho. Por referência a um estudo da OCDE de 2007, cujos resultados são resumidos pela tabela baixo, podemos ver que Portugal não era, de todo, um país com um excessivo número de dias de não-trabalho pagos. De facto, o total de dias de feriados e férias era apenas ligeiramente superior à média dos países analisados.

Ora, com o corte dos 4 feriados (e o potencial impacto nos dias efectivos de férias do corte dos 3 dias adicionais) Portugal vai ficar destacadamente em primeiro lugar, com o número de dias de não-trabalho pagos mais baixo da Europa.


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publicado por Mais Um Economista às 16:44 | link do post | comentar


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